Histórias da nossa terra

A manhã apareceu molhada,

mesmo assim muitos foram os que se dirigiram ao campo para guardar seus rebanhas, e outros para tratar de suas culturas, e eis que tocam os sinas a rebate, e os miúdos saem a rua, como se tratasse de uma festa, ou algo de anormal, corriam pelas ruas lamacentas da aldeia, descalços, sim meu amigo, a vida era difícil, não havia dinheiro para nada muito menos para sapatos.

O povo juntou-se junto da igreja, perto do cemitério, onde iria ser feita a autópsia do envenenado Manuel José Esteves, havia muita adrenalina por todo o lado os comentários eram todos contra a criminosa Josepha Maria, a sua criada, que eram julgadas mesmo antes de ir ao tribunal.

Depois de ser desenterrado o cadáver, foi feita a autopsia que confirmou o envenenamento do morto e foi decretada ma prisão da mulher e da criada assim como do amante José Victorino Esteves, que seguiram debaixo de insultos para a cadeia da relação de Mogadouro onde aguardariam ser julgados.

O julgamento foi feito, e foram condenados a mulher assim como a criada, e o amante por este não se defender, pois o juiz tinha a certeza que ele nada tinha a ver com o envenenamento do seu tio Manuel José Esteves, mas como lhe disse o juiz que ele tinha que se defender e não ficar sem falar e assim acabam por ser também condenado ao degredo para Angola juntamente com o mulher e a criada.

Estávamos, por volta de 1915, ainda não havia comboio em Mogadouro, e os criminosos foram levados de charrete para Macedo onde pegaram o comboio que os levaria a Lisboa, no caminho entre Soutelo e a ponte de Remondes foram os amigos e familiares a despedirem-se

E a mãe do Victorino, chamada Perpétua Carolina, pediu para poder tocar no seu filho porque não podia vê-lo porque estava cega e ao apalpar os punhos dele disse: meu filho tu estas preso porque não falar a verdade, todos sabem que tu nada tens a ver com isso, mas ele não respondeu se deu como culpado por amor, o que ele imaginava era poder ir com ela e viver lá junto em Luanda, mas que engano, logo que chegou a Macedo foi separado dela e nunca mais a viu e la foram todos num vapor para a pequenina cidade de Luanda cumprir a pena a que foram condenados.

O Victorino e a criada ainda voltaram a esta terra, onde viveram ainda alguns anos, o Victorino vinha doente com a malária, casou, em Remondes aos 11 de Setembro de 1919 com Beatriz Olímpia de Vilar Chão, tendo morrido pouco tempo depois, a criada também veio e casou aqui em Remondes, a patroa Josepha veio para Lisboa, mas perguntou a alguém que era daquie foi informada que os seus irmãos tinham vendido tudo o que tinha,e por isso não poderia vir, porque não conseguiria sobreviver e morreu em Lisboa pouco tempo depois, ninguém sabe como só Deus sabe.

Assim termina a história que deu má fama a esta aldeia.

A.B.Cordeiro

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