A quinta do Azinhal.

Quando em 1735, ou 1737, o Padre Cardoso escrevia no seu dicionário corográfico, que a vila de Castro Vicente era onde chamam de vila velha, distante da actual num monte que chamam as fragas de Santo Cristo, onde existia e ainda existe uma ermida chamada de Santo Cristo da fraga, que dizem ter sido paroquia, não muito longe fica uma penha inacessível, e de altura tal que perturba a vista a quem quer olhar para baixo na direção do Rio Sabor, chamam-lhe a fraga da Vila Velha. De fronte fica o cabeço do Azinhal, e nas encostas deste quase todo baldio, cresce um bastíssimo mato, quase impenetrável, e onde é menos espesso cria muito porco-montês, lobos, raposas e veados etc. e muita caça grossa que nesses tempos, era abundante por estas paragens.

Aqui se situa agora a quinta do Azinhal, que noutros tempos era o alimento para muitas pessoas que diariamente ali trabalhavam durante o ano todo, nunca faltava trabalho.

Por volta de 1908, comprou o senhor Valentim Guerra um olival perto de onde hoje se situam as casas da quinta, tendo falecido novo, ficou a quinta entregue a sua mulher D. Maria Guerra Rodrigues, que com punho de aço enfrentou a todos, comprando sempre tudo o que estava para venda, terrenos que foram desbravados e neles plantadas milhares de oliveiras e vinha, figueiras e amendoeiras.

As parreiras eram plantadas junto as safardas de pedra, que serviam para pegar na terra e tornar menos ingreme a mesma. Chegaram a ser colhidas muitas pipas de vinho que hoje seria um vinho de alta qualidade. Amêndoa também havia com abundância, embora fosse uma colheita muito incerta, devido as queimas que a afligiam. No verão havia uma colheita muito importante, a do figo, que dizem ter chegado a milhares de quilos, que eram vendidos para destilarias fazerem a tão deliciosa aguardente de figo. Tinha também esta quinta muito sobreiro que davam uma da melhor cortiça que havia aqui para o norte, mas o grande produto aqui era o Azeite, que ainda me lembra do lagar ali construído andar a fazer azeite até ao fim do mês de Março.

O lagar foi construído por volta de 1930, sendo de tração animal, com duas rodas que moíam a azeitona e o azeite era depois prenssado manualmente e separado por decantação, o meu tio Dr. Manuel José Baptista Cordeiro, ainda comprou uma prensa manual alemã mas era lutar contra o progresso, e depois fizeram um lagar moderno em Mogadouro, que deixou de funcionar há 25 anos, para onde era levada toda a azeitona.

Segundo o Dr. Manuel José Baptista Cordeiro, no azinhal ou seja tudo o que se estende a partir das casas para o Rio não havia oliveiras, embora as houvesse, na corticinha e maçaira, e é possível que existissem algumas espalhadas, as da cortinha sei que já aparecem num testamento familiar de 1800 assim como o olival da Macaira.

O senhor João Bernardo como era conhecido embora o seu nome fosse João Manuel Caçarelhos, filho legítimo de Bernardo António Caçarelhos e Emnência Maria Martins natural de Paradela, nasceu 1842, e casou em Remondes, com Ana Joaquina ou Ana Bernardina, filha legítima de Francisco Dionísio Alves e Barbara Maria Miguel. Foi Bernardo António Caçarelhos quem começou a plantar o olival no sítio chamado de Barrancos, onde não era baldio, e ali se encontram ainda hoje as oliveiras mais Velhas do Azinhal.

Quanto trabalho aqui se fez para levantar tantas paredes, aqui chamadas de safardas, penso que este nome é só aqui utilizado.

Como sempre cada historia tem o seu rei e segundo o meu tio Dr. Manuel Cordeiro o rei do Azinhal era o senhor João Marcelo, que passava dias na taberna mas trabalhou muito no azinhal, diziam que preparava uns coelhos bravos muito bem, só que colocava tanta malagueta que os convidados não conseguiam comer e fugiam deixando a comida para traz e ele e a sua mulher lhe faziam um fado, ainda hoje se fala nisso.

Um apanhado da história da Quinta do Azinhal

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