A lenda dos Galegos e a Ponte de Remondes.

Esta lenda passou de pais para filhos e chegou até nos, foi contada pelo senhor Daniel Pereira, embora como toda a literatura de cordel, cada um acrescenta um pouquinho e depois já não se sabe como tudo se passou.

Segundo o senhor Daniel, que ouviu contar que quando os Távoras eram senhores do Mogadouro e conhecedores da falta que fazia uma ponte no Rio Sabor, onde em tempos existiu outra a chamada ponte velha, resolveram mandar construir uma que respondesse as necessidades destas terras e que segundo ele deve ter ocorrido por volta de 1580/90, recorreram a mão-de-obra galega, que era a mais especializada nessa altura.

Uma vez em Portugal os nuestros hermanos, Galhegos como lhe chamava o senhor Daniel,  afirmavam estar muito contentes, pela maneira como eram tratados pelos portugueses destas terras, dizendo que estes preferiam dar-lhe a eles as couves maduras, para o caldo, enquanto os portugueses ficavam com as verdes, Inteligentes….pensavam que eles não sabiam que as maduras não prestavam…nossa senhora a couve galhega como o seu nome indica vem da Galiza e eles não a conheciam?

Um dia quando os olhais já estavam prontos e faltava terminar o pavimento, e depois de um árduo dia de trabalho chegou a hora do tacho, o cozinheiro como sempre tinha sopa de couves maduras, a paginas tantas o cozinheiro com uma grande colher de pau, mexia o interior da  grande panela onde preparava o caldo, ao debruçar-se sobre esta para facilitar o trabalho, terá deixado cair, para dentro algo que era conhecido como “chismes de lume, e servia para acender o fogo naquela época,  sendo parecido como uma serapilheira com cerca de 10 centímetros e que ficava preta depois de arder.

Quando o caldeirão de caldo estava sobre a mesa e já tinham comido quase todos, e os mais esfomeados, tinham ate repetido o apetitoso caldo, chegou a vez do cozinheiro, se servir, eis que algo de anormal sucedeu ao derramar o caldo no seu prato, viu algo que o aterrorizou, como era de noite e a luz era fraca não conseguiu identificar de imediato do que se tratava.

Depois de, voltas e mais voltas, o cozinheiro acabou por confundir o pedaço de torcida com uma venenosa salamandra.

Ciente da desgraça que se avizinhava, para aqueles que já tinham comido o caldo que seriam vitimas do coxo do réptil, por este ter sido cozinhado com o caldo, virou-se para os demais e gritando disse?

Olhai rapazes, isto que tenho no meu prato, não sei que raio é, se é salamandra ou algo mau, os Galhegos ficaram apavorados, mas os que já comeram que vão mas é ao Mogadouro

Tomar sal amargo para limpar o coxo.

Ao tomarem o sal amargo iriam provocar o vómito, sendo nessa altura, esta a única forma de salvarem as suas vidas.

Fácil será de imaginar o pânico, que se apoderou destes pobre galegos, que nem olharam a mais nada e desataram a correr pela ladeira acima, não olhando as dificuldades, movidos pela anciã de salvarem suas vidas.

Para quem conhece a ladeira de Remondes, embora sendo a menos quebrada, de todo o concelho, mesmo assim era cansativa, certamente não é dos terrenos mais rápidos a percorrer para quem esta com tanta angustia, e enquanto que os desgraçados se esgadanhavam direito ao Mogadouro, o cozinheiro intrigado pelo estranho sucedido, continuou de volta do prato, na tentativa de descortinar do que realmente se tratava, ate que a certa altura, se deu conta de que se tratava efectivamente,do pedaço de torcida que quando se debruçara na panela  para mexer o caldo lhe caíra do bolço do casaco . Sem perder tempo acorreu a margem do Rio Sabor do lado do termo de Castro Vicente.

Ou! Olhai que não é nenhuma salamandra é um chismes de lume….a esta altura os homens estariam onde hoje se situa a capela de São Bartolomeu, bem perto…mas com o barulho provocado pelo rio de inverno e pelos gritos desesperados dos menos crentes da salvação, o que ia atrás respondeu…já morreram dois.

É de prever que ao ouvirem o que o mais atrasado dizia, terá acontecido, um autêntico esfola, mata, agarra ate chegarem a Mogadouro.

Uma vez em Mogadouro tomaram o sal, vomitaram e aguardaram por alguns sintomas, que não apareceram e uma vez que se julgaram cientes, que o sal os tivesse curado rumaram de novo ao acampamento, junto da ponte.

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