Histórias da nossa terra 2

A vida corria pacatamente na aldeia,

as pessoas estavam apenas preocupadas com as dificuldades do dia-a-dia, e não olhavam muito para estes casos, que ocorriam a margem da maioria do povo.

O murmúrio ia aumentado, e já se falava abertamente que a mulher e a criada andavam a envenenar o Manel, que continuava lutando contra a vida de duas maneiras trabalhando e enfrentando a sopa de vaca-loura todas as noites.

Mas e pergunto eu? E o amante nesta parte, onde esta? Difícil de acreditar, mas segundo os relatos, ele não participou em nada, foi também vítima da ganância amorosa da Josepha, embora seja responsável por ter enganado o seu tio que o ajudou com tanto amor, só neste sentido ele pode ser condenado, pois ficou provado que nem fez nem soube de nada.

O grande dia chegou, o Manel não aguentou mais e partiu para sempre, e ela pensando que agora sim estava libre dele e poderia enfim, ser feliz com o seu amante.

A morte do Manel foi muito comentada na aldeia, e arredores todo o mundo falava que tinha sido envenenado, mas ninguém podia provar e estava difícil, mas como nunca ouve crime perfeito e este não podia fugir a regra, já estava quase tudo feito, mas alguém reparou que o cabelo do Manel estava descolando, aqui estava um pormenor que ia mudar a vida da Josepha.

Foi feito o funeral, e enterrado no cemitério local, com os prantos e as lágrimas de todos, parecia um conto de fadas, ela já não escondia que o grande dia estava próximo, mas a vida tem cada uma, e alguém foi dizer ao delegado de Saúde de Mogadouro o que tinha visto, e ele veio e mandou exumar o corpo e fez-lhe a autopsia, que logo ditou envenenamento.

Aquilo que parecia não era e a felicidade se transformou em algo diferente que colocou a aldeia de Remondes no mapa dos crimes passionais.

O crime não compensa contínua na próxima.

 

 

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