O olival do rapaz?

Desde a mais tenra idade,

que ouvia falar aos mais velho que ali num olival que fica nas Chás, havia um montão de pedras e todos diziam que ali tinha sido morto um rapaz pelos ladrões, e que quando o encontraram já os lobos tinham comido parte das pernas, esta história foi passando como a literatura de cordel e chegou aos nossos dias com variadas versões, sem se saber quem era o dito rapaz e o que teria ele feito, para merecer tamanha castigo.

Quantas razões não seriam explicadas e cada um dava sempre um acréscimo e por isso se passaram 362, até se saber o que aconteceu no verão de 1652, no caminho que segue da ponte de Remondes para a aldeia, e à calada da noite ,foram assassinados António Lopes e o seu criado e ninguém roubou nada, como se contava nas histórias, porque os motivos eram de outra origem.

Um jovem de bem com a vida e teve a infelicidade de ser alvo do amor de uma mulher casada, infelicidade digo eu, porque essa mesma paixão o levaria a morte na flor da idade.

António Lopes, era primo direito de Francisco Lopes Pereira um judeu muito rico e influente que viajava por toda a europa e tinha muita influência junto do poder, sem o apoio desse, era apenas mais um morto e se possível atribuída a culpa aos lobos.

No verão quente de 1652, a vida corria como sempre a faina de fazer as colheitas foi abalada por um caso que espantou Mogadouro e todo o nordeste, um crime passional, ia colocar Remondes nas bocas do mundo, Maria Lopes da Penã mulher casada, e com o marido fora nos negócios. Cai de amores pelo primo de nome António Lopes, este primo carnal de Francisco Lopes Pereira, judeu muito influente nesta paragens e até em Lisboa, onde ia com frequência, ela irmã de Francisco Lopes Penã. Francisco Lopes Penã, irmão de Maria Lopes, e de Diogo Henriques seu cunhado, estes não estiveram com meias medidas e resolveram pura e simplesmente matar o amante de sua irmã e cunhada. Depois de desaparecerem na ladeira de Remondes perto da Ponte num olival que ainda hoje se chama de Olival do rapaz, onde foram encontrados os corpos de António Lopes e um criado sem que lhe seja roubado algo, debaixo de uma árvore possivelmente uma oliveira.

O povo murmurava, mas os assassinos fugiram para o reino de Espanha, sem que a justiça pudesse ser feita, isso sem contar como que seria feito depois.

Passo a transcrever um documento que foi retirado de uma tese de Doutoramento sobre os Sefarditas, no concelho de Mogadouro.

O caso, que espantou Mogadouro e o Nordeste Transmontano, terá ocorrido no Verão 1652, Maria Lopes Penã, mulher casada com o marido ausente, andava metida em amores ilícitos com António Lopes, solteiro primo muito chegado a Francisco Lopes Pereira. Francisco Lopes Penã, irmão de Maria Lopes Penã, e Diogo Henriques, seu cunhado, não estiveram com meias medidas. Resolveram pura e simplesmente matar o amante de sua irmã e cunhada. Acabaram por dar com ele junto ao povoado de Remondes na margem do Rio Sabor, dormindo debaixo de uma árvore juntamente com um companheiro que seria seu criado e que igualmente assassinaram.

Arrogando-se em defensor da família Francisco Lopes Pereira, não deixou o caso morrer esquecido. Meteu-se a caminho de Lisboa. Contactou advogados, e regressou com mandato da Corte para que se procedesse a organização do processo, e julgamento dos criminosos, o que foi feito embora à revelia pois eles tinham entretanto fugido para Espanha. Os assassinos foram Francisco Lopes Penã, este irmão de Maria Lopes Penã e Diogo Henriques, seu cunhado, nunca mais foram vistos por estas terras.

Julgados a revelia foram condenados a morte, por enforcamento, e como não foi possível encontra-los, e proceder ao seu enforcamento em carne, fez-se em estátua, ou seja, armou-se uma forca e na praça de Mogadouro, e nela penduraram dois bonecos feitos de palha, com a indicação dos nomes dos enforcados. Era o costume da época. Na aldeia tudo seguia o seu destino nesse ano de 1652, nasceram nesta freguesia.

Aos 11-01-1652, nasceu nesta freguesia um individuo de sexo masculino a quem foi dado o nome de João Domingues, filha legítimo de Pedro Martins e Ana Domingues. Nota, este padre escreve os padrinhos em vez dos avôs, foram eles João Variz e Beatriz Martins. Aos 25-01-1652, nasceu nesta freguesia de Santa Catarina de Remondes um individuo de sexo feminino a quem foi dado o nome de Francisca Martins, filha legítima de António Fernandes e Maria Martins, foram padrinhos João Martins do Cimo e Maria Martins.

Aos 18-10-1652, nasceu nesta freguesia de Santas Catarina de Remondes um individuo de sexo masculino a quem foi dado o nome de António Fernandes, filho legítimo de António Fernandes e Maria Giraldes, foram padrinhos João Pires Gonçalves e Maria Giraldes.

Acrescentei estes nascimentos para que se veja que a vida continua seja em que circunstâncias forem.

António Cândido Baptista Cordeiro

O Olival

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