1. As Amoreiras

Quem não as conhece? Elas estavam por todo o lado, em todos os povos havia locais que se chamavam amoreiras, hoje quase que não existem apenas o nome, continua a figurar por todo o lado.

Em Remondes havia centenas de Amoreiras, quer publicas ou privadas, hoje poucas se vêem de entre elas, uma pública que continua a desafiar o tempo.

De entre todas as actividades que distinguiram a nossa região, é digno de citar o cultivo da amoreira e a criação do bicho-da-seda.

O cultivo da seda em Traz Os Montes teve o seu apogeu no século XVIII, tendo existido um empório da seda em Bragança e uma feira muito importante em Moncorvo assim como vários filatorios em varias terras de entre eles o de Chacim, que ainda existem as ruínas bem conservadas, podendo ser admiradas ainda hoje.

Portugal foi o primeiro a produzir seda na Europa e foi em Traz Os Montes que ela encontrou o clima e a terra favorável a produção do bicho-da-seda chamado sirgo que a troco da folha da amoreira o único alimento do insecto dava a seda

Mas não há bem que sempre dure, no século XVIII apareceram em França varias doenças que dizimaram o bicho e se propagaram a Portugal, mas o sirgo transmontano resistiu muito bem a epidemia, devido ao clima lhe ser propício, houve quem atribuísse a sua resistência a qualidade das folhas e o seu clima.

Por volta de 1863 começaram a faltar as folhas devido as amoreiras serem poucas e o Governo obrigou todos os municípios a plantar amoreiras em tudo o que era publico , desde baldios, praças publicas estradas caminhos e até nas ruas.

Com certeza que ainda existem por ai fora muitas mas em Remondes só já existe uma publica que se encontra na Quinta do Santo Antão.

Ainda me lembro de no século passado ouvir dizer que as moças de Paralela, vinham à Quinta do Santo Antão apanhar a folha aqui já não se produzia a seda.

As amoreiras mesmo velhas ainda se revestem de esplêndida folhagem, lembram a beira da estrada uma riqueza perdida que é bom não esquecer.

Espero que esta amoreira seja preservada, para memória do futuro e não que qualquer um se tome por dono e a derrube para lenha, ela é mais que centenária e merece o nosso respeito.

Elas eram motivo do cancioneiro popular segundo Leite de Vasconcelos.

Fiz a cama na Moreira, e o travesseiro na mora, Coitadinha da menina, que do rico se enamora.

Chamais a Moreira triste, assim vós vos enganais, a Moreira cria seda com que vós vos asseais.

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