Ano de 1816 ano sem verão.

A vida corria como sempre lentamente por estas paragens,

mas o povo ia observando algo que não era normal, e de um momento para o outro o verão desapareceu, tornando-se fresco e diferente, mas como nada se sabia especulava-se que talvez fossem os deuses que quisessem castigar estes mortais pelos seus pecados.

Há mais de 12.000 quilómetros de distância, se tinha produzido uma erupção vulcânica que ia mudar o clima no hemisfério norte.

O Monte Tambora, um vulcão activo na ilha de Sumbawa na Indonésia, entrou em erupção entre o dia 5 e dia 10 de avril de 1815, atingindo o nível 7 no índice de explosividade vulcânica, realizando a maior erupção, depois da do Lago Taupo em 181 da nossa era.

Foram dias de fim do mundo, naquelas terras do mar da china, havendo duas explosões que expeliu as cinzas a 33 kilometros, e cinco dias depois elas chegaram a 44, cobrindo uma área de 500 kilometros onde se fez noite, durante 3 dias tendo morrido muitos milhares de pessoas, apontando as estatísticas para mais de 70.000, de entre eles alguns de Timor que segundo relatos esteve coberta pela noite durante três dias, e depois espalhando a miséria em todo o hemisfério norte, onde não houve verão e as colheitas se perderam dando origem a uma crise alimentar sem procedentes.

E aqui na santa terrinha? Pode ter acontecido com as chuvas de se espalharam em todo o verão tenha sido um ano quase normal, em certos aspectos melhor havia mais alimentos para os animais, embora verão tenha sido mais curto e freso e o inverno que chegou depois foi muito frio tendo continuado este clima até por volta de 1850, quando terminou o que os climatólogos chamam de pequena era glaciar.

Andei vendo as contas da aldeia, e depois de analisar chego a conclusão que não houve muitas mudanças, no clima desta região embora os verões fossem mais curtos e os invernos mais frios.

Em 1815, ano sem verão eram mordomos, Francisco José Ribeiro, que entregou as contas ao novo mordomo Francisco Afonso, sendo o cura Manuel Gonçalves Nicolau, Juiz da Igreja Raimundo Martins.

Aos 19-01-1916 se tomaram as contas ao mordomo Francisco Afonso que entregou ao novo mordomo Marcelina José.

Contas de Santa Sinforosa, sendo que eram quase sempre mulheres o mordomo. Aos doze dias do mês de Março de 1815 se tomaram as contas a mordoma Maria da Cruz Quina que exercia o cargo desde 1814 sendo apenas substituída em 1816 por Maria dos Santos, e vendo as contas conclui que estavam quase inalteráveis.

Aos vinte dias de fevereiro de 1815 se tomaram as contas ao mordomo velho António Rodrigues Pichorro, para entregar ao novo João Baixo, e cheguei a mesma conclusão, contas inalteráveis.

Os nossos antepassados lá seguiam sua vida e nos deixaram provas da sua honestidade nas contas das suas confrarias.

Os nomes são os antepassados de muita gente , embora outros que não aparecem também tenham feito parte da nossa historia.

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