Os pastores da nossa terra. Desde tempos imemoriais que o homem

domesticou os animais e com eles viveu, repartindo a solidão e as dificuldades da vida. Nesta terra agreste, onde outrora havia muitos rebanhos, eram muitos os pastores, e alguns ficaram na memória de todos como sendo os melhores. O Manuel Alves, natural de To, foi pastor na casa grande durante mais de 20 anos, e deixou saudades pela destreza com que guardava o seu rebanho que era muito grande quase 500 cabeça, sendo ovelhas e carneiros capados, que serviam para produzir esterco e lã sendo depois vendidos para carne. Ouve outros que também ficaram conhecidos como bons pastores filhos de Manuel Alves, o Zé Manuel Alves e o Cara Alta assim chamado por ser muito grande e todos lhe terem medo e respeito, a propósito deste cara alta se conta uma historia que ficou famosa, uma vez andando com as ovelhas no pinheiro, e com uma pedrada partiu uma perna a uma ovelha, e vendo que ela não podia andar colocou a perna no bolso e depois que chegou ao bale colocou novamente a perna na ovelha e a atou com umas fitas e qual não foi o seu espanto a ovelha começou a andar. Que milagre, ele contava o que ninguém acreditava, mas as pessoas diziam acreditar e ele se sentia um herói.

 

Ainda me lembra de aquele gado tão grande chegar as regadas, eram muitas, um gado do maior que havia no conselho de Mogadouro, adorava ver os carneiros se marrando, e nos miúdos estávamos sempre a espero que isso acontece-se. Os Bentos eram bons pastores, de entre eles, havia um que era um especialista o António má caixa, que alem de saber operar o gado as cataratas com uma mestria que metia invejam a muitos veterinários. Um dia foram roubados umas borregas de Linhares e ele foi a procura delas algum tempo depois e num gado dos Cortiços ele disse para um pastor aqui tens 5 borregas e falta uma que com certeza já foi morta, e era verdade, o pastor leal para com os da sua profissão confirmou que era verdade que as tinha comprado, possivelmente ao ladrão, mesmo já estando tosquiadas ele as reconheceu. O Cândido Alves teve um gado, e como a terra era pouca, ele estrumava uma terra de meu pai na paixão, e do outro lado da ribeira no cabeço dos moinhos outro pastor o José Silva conhecido por Zé manco, estrumava outra, memo sendo pastor do Abílio Esperança, contou-me ele que o Cândido não tinha cão, e ele passou a noite correndo a volta do curral para que o lobo não lhe come-se as ovelhas, hoje há muitos cães mas não há lobos, tudo è tão diferente. O Benjamim Monteiro, o Chico Ribeiro, 0 Santinho, o Zé Bento e o António São Marinho que foi o último pastor que a casa dos cordeiros teve, mas que deixou muitas saudades pela destreza com que tratava os richelos, como ele dizia, tanto como pastor como cabreiro foi sem dúvida um bom profissional. A todos os pastores da nossa terra quer do passado e do presente a minha sincera homenagem

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